segunda-feira, 20 de outubro de 2008

A Origem de Portugal (2)




'Pai, foste cavaleiro.
Hoje a vigília é nossa.
Dá-nos o exemplo inteiro
E a tua inteira força!

Dá, contra a hora em que, errada,
Novos infiéis vençam,
A benção como espada,
A espada como benção!'

Fernando Pessoa, Mensagem, D. Afonso Henriques


A civilização romana termina na Península Ibérica com as invasões barbaras do início do século 5 d.C. Grandes hordas de povos bárbaros como os Alanos, os Vândalos, os Suevos atravessam os Pirinéus, vindos do norte da Europa e instalam-se um pouco por toda a península. No entanto estas civilizações não têm uma cultura superior à romana e as populações conquistadas continuaram a praticar um modo de vida de acordo com a cultura romana. A resistência do império romano foi muito fraca precisamente porque a civilização romana era baseada essencialmente na escravatura e os escravos não estavam dispostos a lutar e a dar a vida pelos seus senhores que muitas vezes os oprimiam tanto ou mais que os próprios bárbaros. Cerca de um século depois, no ano de 516, uma outra civilização de povos germânicos chega à península - os Visigodos. Embora não tendo também uma cultura superior à romana, os Visigodos acabam por influenciar os povos peninsulares através da introdução de um novo sistema de classes assente numa nobreza e clero muito fortes.

Os muçulmanos vão invadir a Península Ibérica em 711, com um sucesso militar fulminante os exércitos mouros vencem os Visigodos e conquistam a Península em pouco mais de três a quatro anos. A sua cultura influencia enormemente os habitantes peninsulares. Os lusitanos aprendem a Matemática e a arte da Navegação, conhecimentos que ditariam o nosso futuro séculos mais tarde com os Descobrimentos. Abdulaziz (ou Abdul-el-Aziz) subjugou a Lusitânia e, saqueando as cidades do Norte que lhe abriam as portas, atacava as que tentavam resistir. Às suas investidas escapou, porém, uma parte das Astúrias onde se refugiou um grupo de Visigodos sob o comando de Pelágio. Uma caverna nas montanhas servia simultaneamente de paço ao rei e de templo de Cristo. Por vezes, Pelágio e seus companheiros desciam das montanhas em investidas para atacar os acampamentos islâmicos ou as aldeias despovoadas de cristãos. Um desses ataques, historiograficamente designado de batalha de Covadonga, marcou o início de um processo de retomada dos territórios ocupados, ao qual se deu o nome de Reconquista.

Poucos anos após a invasão muçulmana, os cristãos (hispano-godos e lusitano-suevos) acantonados nas serras do Norte e Noroeste da Península Ibérica, iniciaram a reconquista do território, formando novos reinos que se foram estendendo sucessivamente para o Sul. Novamente, os lusitanos não se misturam com os mouros até porque tinham religiões diferentes. Aprenderam a sua cultura mas não se dá o cruzamento de povos. O período compreendido entre 711 e 1492 foi marcado, na Península Ibérica, entre outros factos, pela presença de governantes muçulmanos. Em nome da recristianização da região, ocorreu um longo processo de lutas, considerado por alguns como parte do movimento de cruzadas, resultando finalmente na completa conquista do território por parte dos cristãos.

No ano de 1095, o Imperador Afonso VI (imperador porque era rei dos reinos de Leão, Castela e Galiza) decide reunir os condados do Porto e Coimbra (na altura governados por condes embora tivessem que responder ao Rei de Leão) num só condado e oferecer à sua filha Dona Teresa. Assim, Dona Teresa e o marido, o fidalgo francês conde D. Henrique, são os primeiros príncipes de Portugal. O conde morre em 1114 e o governo do condado passou para a rainha viúva, que era a mãe do jovem D. Afonso Henriques, que em 1122 se arma a si próprio cavaleiro na catedral de Zamora. Ora armar-se a si próprio cavaleiro significa muito simplesmente que este não reconhece mais ninguém acima de si. Dona Teresa, casada na altura com um fidalgo galego, pretendia que a chefia do Condado Portucalense ficasse dependente do Reino da Galiza, no entanto os portucalenses não viam com bons olhos a ideia de sujeição aos galegos. Assim, o jovem Afonso Henriques encabeça a resistência apoiada pelos burgueses de Guimarães, pelo arcebispo de Braga e muitos fidalgos portucalenses. Com este apoio, Afonso Henriques resolve apoderar-se do governo do condado contra os desejos da mãe. Fica famosa para a história a batalha de S. Mamede, perto do Castelo de Guimarães travada entre os exércitos de Dona Teresa e os do próprio filho.

Mas a história não termina aqui...

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Todos podem e devem participar!

Envia os teus textos, críticas, opiniões e ideias para:
movimento.ultra.lusitano@gmail.com
E os mesmos poderam ser expostos na textualidade prícipal do blogue.
Para um MUL forte, a tua participação é fundamental.
Lembra-te que este Movimento existe para que os valores da Pátria Lusitana não morram e acima de tudo integrar ideias que visam o melhoramento do estado actual da nossa querida e eterna Pátria.
Participa!!!

Os nossos ideais.

O Movimento Ultra Lusitano.
Eis a verdadeira génese da criação de tal movimento.
Antes que venham algumas alminhas críticar o nosso Movimento no sentido de o comparar ou mesmo rotular de movimento de ideal fascista, antevenho como bom militar que sou, tal jogada.
Devo dizer que como príncipio fundamental de base do MUL, A LIBERDADE de EXPRESSÃO a todos os que intervêm no nosso blogue.
O MUL integra e dá direito de expressão a membros, simpatizantes e ideais de todas as representações partidárias e instituições. Num Português mais claro, somos apologistas de ideais desde a extrema esquerda até á extrema direita, portanto camaradas somos um bloco só, vulgo, democráticos e livres.
A criação do MUL visa únicamente acordar a sociedade Lusitana para os problemas que asolam a actualidade nacional e fundamentalmente NUNCA ESQUERCERMOS DE QUEM FOMOS, O QUE SOMOS, DE ONDE VIMOS, PARA ONDE VAMOS.
Dar a entender que o Português não deve jámais ter vergonha doque é, e acima de tudo demonstrar ter ORGULHO no que é.
Assumimos-nos defensores Patrióticos e Nacionalistas, mas nunca nos confundam com extremismos indulentes e rótulos fascistas. SOMOS DEFENSORES DA PÁTRIA E DOS SEUS VALORES, da-mos a conhecer e príncipalmente relembrar que não nascemos ontem, mas temos isso sim uma identidade própria com 865 anos de história que não é vulgar e quem a construiu, todos os que deram o seu nome e ficaram na construção dessa mesma história não merecem nunca serem enxuvalhados e ignorados por muito que o progresso nos inclua cada vez mais numa sociedade global, unicultural e unigovernativa.
Abraço Camaradas.

Os nossos textos...

Caros amigos e camaradas....ultimamente temos recebido post`s a darem a dica de que os nossos textos são longos. Concordo com tal ponto de vista, é algo que não é normal nos blogues que circulam na net, mas deixo aqui a nossa simples e concisa explicação por parte dos Membros Fundadores do Movimento Ultra Lusitano.
Os textos expostos são longos pela simples razão de que primamos pela coerência e lealdade aos nossos valores que divergem cada vez mais aos que são aplicados diáriamente no presente tanto pela sociedade civil como e mais importante, pela sociedade Governativa da nossa querida Pátria. Ora, para que aqueles que nos visitam tenham noção dos nossos ideais e príncipalmento do fundamento das nossas críticas, temos que construir textos que demonstrem o lado que críticamos e o nosso, para que sejamos realmente coerentes e leais.
Isto para que o simples cidadão possa reflectir se está ao lado dos nossos pontos de vista ou do lado da realidade cootidiana.
Continuem a participar pois sem o vosso apoio e intervenção LIVRE, não podemos evoluir na construção e progresso de um futuro melhor e digno para a nossa estimada e eterna NAÇÃO,
A PÁTRIA LUSITANA.
Abraço camaradas.

sábado, 11 de outubro de 2008

O Dia da Independência.


Afinal de contas qual o verdadeiro dia da independência, o verdadeiro dia de Portugal?
Eis mais uma das muitas brihlantes ideias implementadas pelas cabeças da republica. Decorria o Glorioso ano de 1143, e numa pequena cidade a oeste do então reino de Castela, num dia de outubro, o saudoso e Pai D. Afonso Henriques assinava com o seu primo Afonso VII de Castela o Tratado que dita o reconhecimento oficial da nossa Independência, o Tratado de Zamora.
5 de Outubro de 1143, Dia de Portugal.
Vergonha é o que sinto todos os anos, ao ver ser comemorado um feriado por uma data que simboliza a queda da Monarquia no nosso País e é fundada a Republica. E se nos inteirármos bem acerca deste assunto, de certo que iremos denotar uma certa igualdade de funções entre tais regimes governativos. Se analizarmos á data da queda da centenária Monarquia, ano de 1910, podemos verificar que a figura de estado era o Rei, acusado pelas massas de exploração e despudor em relação ao que se passava nas entrenhas do povo e cujas funções apenas coroavam por meras intervenssões, podemos sempre comparar com as funções e desempenho do chefe de Estado actual, o nosso Presidente da Republica. Vejamos, chefe máximo das Forças Armadas; igual. Poder de escolha e concordância de formação do Governo; igual. Dissolução dos Orgãos Governativos; igual. Poucas acções governativas; igual. Falta de interação com o povo; igual. Não fazer nada de produtivo e real governação do Estado; igual. Portanto meus amigos dados alguns exemplos que ao fim de 100 anos comparamos aqui, verficamos que o País se estava em crise e esse era um dos argumentos que levou á revolta republicana e consequente queda do regime monárquico, enfim meus amigos hoje 11 de outubro de 2008 vivemos igual forma de estar social, enforcados pelas diverssas crises que ensombram a nossa querida Pátria. NADA MUDOU.
O ideal republicano demontrou ao longo destes 100 anos que era e é apenas uma forma de vários carolas mais espertos que o resto das massas tentaram e conseguiram convencer o analfabeto e ignorante povo, sem culpa está claro, a revirar o país e torná-lo na mesma forma que era, agora apenas mudavam os nomes dos cargos. Pesso desculpa pelo termo, mas como diz o povo brejeiro " A merda é diferente, mas o cheiro é o mesmo." Nada mais certo. De que valeu mudarmos se continuamos com as mesmas dificuldades e os governantes continuam a explorár-nos e a tratar quem os elege como erva daninha. Sou apologista do ideal governativo francês. O Presidente da Republica é quem governa, é quem decide é quem dá a cara ao e pelo Povo que o elege como seu representante e governador máximo. Chega de tachos e panelas, se verific´rmos bem as contas, em comparação á moeda da época de 1910 os réis com a actualidade, o euro, chegamos á brilhante conclusão que hoje gastamos 15 vezes mais em atribuições financeiras a representantes da Republica do que o que existia no reinado de D. Carlos I e subsequentemente o seu filho e último monarca Lusitano, D. Manuel II. UMA VERGONHA !!! Vêm estes gajos falar de poupança, de aperto de cinto....meus amigos anualmente o país produz 150 mil milhões de euros e ainda me dizem que não há dinheiro, para onde vai tal massa? Mal gerida e para o fundo de contas bancárias em off-shore de meia dúzia de cabeças. E ninguém vê isto!? Falam do 25 de Abril........outro dia da merda!!! A maior peça de teatro alguma vez realizada, tanta acção e realismo.....meus amigos, digovos se existe alguém que merece um óscar em Portugal, esse nome seria Mário Soares e seus compinchas porque não! Otelo, Costa Gomes, Almeida Santos, Spínola, e por aí fora até aos dias de hoje.
Pois é camaradas, 5 de Outubro comemoramos a implantação da Republica, tapam os olhos ao povo que papa este dia de merda, atenção digo de merda porque comemoramos por tal motivo, e deixamos ano após ano cair no esquecimento aquela que é a data mais importante da Pátria Lusa. De 1143 a 2008 são 865 anos, NÃO ME GOZEM POR FAVOR. Quase 1000 anos de história como Estado Uno e Independente, Descobridor e implementador do factor GLOBALIZAÇÃO, não é de agora é desde 1415 com a conquista de Ceuta meus amigos. E deixamos cair tais factos em esquecimento. VERGONHA!!!
Apelo a todos que doravante celebremos e publicitaremos o 5 de Outubro como Feriado pelo Dia da Independência e de Portugal. O dia 10 de Junho pode bem ficar como o Dia de Camões que bem merece. Maso verdadeiro dia da Pátria Lusitana é o 5 de Outubro que se comemore como bem merece porque é o dia de todos nós, o dia em que o primeiro Português, o primeiro Soldado de Portugal se designa como Primeiro Rei de Portugal o "pai" de todos nós.
Acordo totalmente em elaborar uma petição a ser entregue na Assembleia da Merda, perdão peço sinceras desculpas, Assembleia da Republica. Pelo nosso dia, O Dia da Pátria.
Abraços camaradas.

A Origem de Portugal




'Eis aqui, quase cume da cabeça
De Europa toda, o Reino Lusitano,
Onde a terra se acaba e o mar começa'

Camões, Os Lusíadas, Canto III


Numa época muito remota, no 'Paleolitico' a Peninsula Ibérica foi invadida por inúmeros povos, houve assim dentro do território uma fusão de inúmeros povos, existindo também grandes progressos culturais. Em de 10 000 a.C. a Península Ibérica era habitada por povos que viriam a ser conhecidos como Iberos. Em 6000 A.C., a região passou a ser habitada por um povo indo-europeu, os Celtas que coexistiram pacificamente com as tribos Iberas até ao ponto de se fundirem, dando origem aos Celtiberos que se subdividiram em vários povos, como os Lusitanos, os Calaicos ou Gallaeci e os Cónios, entre outras menos significativas, tais como os Brácaros (povo do Norte de Portugal), Célticos (povo que habitava o Alentejo), Coelernos (viviam entre os rios Tua e Sabor, no interior norte de Portugal), Equesos (viviam no extremo norte montanhoso português), Gróvios (viviam no vale do rio Minho, entre a Galiza e Portugal), Interamicos (vivia entre trás-os-Montes, Portugal e o norte de Espanha (fronteira com Portugal), Leunos (habitavam entre o rio Lima e o rio Minho, no norte de Portugal), Luancos (habitava entre o rio Tâmega e o rio Tua, a norte do rio Douro no actual território português e galego), Límicos, Narbasos, Nemetatos, Gigurri, Pésures, Quaquernos, Seurbos, Tamagani, Taporos, Zoelas, Turodos. Influências menores foram os Gregos e os Fenícios-Cartagineses (com pequenas feitorias comerciais costeiras semi-permanentes).
Assim sendo, os lusitanos são um povo celtibero. A região habitada pelos lusitanos chama-se de Lusitânia e corresponde a Portugal e a uma parte da Galiza (Espanha).

O que chamou a atenção dos romanos para a Península Ibérica, foi não só a imensa riqueza mineira, mas também o facto do império cartaginês, inimigo crónico dos romanos, recrutar nesta região muitos dos seus bravos soldados.
Em 151 a.C., os chefes lusitanos, que se encontravam nos castros (povoações rodeadas por muralhas) nos montes Hermínios, após muitas lutas contra os romanos, decidiram propor a paz. Em troca de terras férteis na planície, abandonariam a luta. As conversações sobre a intenção dos Lusitanos tiveram como interlocutor um chefe romano de seu nome Galba que fingiu aceitar a proposta oferecendo-lhes um local esplêndido. Em troca teriam que entregar as armas.
Quando os lusitanos se encontravam espalhados por uma zona sem hipóteses de defesa, Galba cercou-os, matando milhares de lusitanos. Aprisionou e enviou para a Gália, como escravos, outros tantos. Porém, alguns conseguiram escapar, entre os quais, Viriato. Galba, com esta traição, pensava que esta vitória seria bem recebida em Roma, e que com a violência do seu acto tivesse destruído para sempre a resistência dos lusitanos. Puro engano! Esta traição ia contra os conceitos estabelecidos pelas autoridades romanas, que davam muito valor às vitórias militares mas exigiam lealdade e respeito pelos inimigos. Quando souberam que Galba tinha mentido e assassinado homens desarmados que tinham confiado na palavra de um chefe romano, chamaram-no a Roma e julgaram-no em tribunal. Os lusitanos, ao contrário do esperado por Galba, formaram um exército de milhares de homens vindos de vários castros e desencadearam ataques sucessivos contra os romanos, alcançando muitas vitórias sobre o comando desse grande herói do povo lusitano, que só à traição foi eliminado, Viriato.
Mas a luta não parou e para tentar acabá-la os romanos mandaram à Península o cônsul Décimo Júnio Bruto, que fortificou Olisipo (Lisboa), estabeleceu a base de operações em Méron próximo de Santarém, e marchou para o Norte, matando e destruindo tudo o que encontrou até à margem do Rio Lima. Mas nem assim Roma conseguiu a submissão total e o domínio do norte da Lusitânia.
A partir de 194 a.C., registraram-se choques com tribos de nativos, denominados genericamente como lusitanos, conflitos que se estenderam até 138 a.C., denominados por alguns autores como guerra lusitana. A disputa foi mais acessa pelos territórios mais prósperos, especialmente na região da actual Andaluzia.
Neste contexto, destaca-se um grupo de lusitanos liderados por Viriato, eleito por aclamação, que inflinge várias derrotas às tropas romanas na região da periferia andaluz, acabando por tornar-se num mito da resistência peninsular.

No entanto a força do império romano prevaleceu e este viriam a dominar a Peninsula Ibérica por mais de cinco séculos. Os romanos contribuíram com a sua cultura e a sua civilização mas não com pessoas o que permitiu que os lusitanos tenham adquirido a cultura romana mas não as suas gentes. Os lusitanos tinham uma língua própria - a língua lusitana, uma variante de língua celta. Contudo, a influência do latim era superior e de acordo com os ensinamentos romanos, os lusitanos passaram a falar latim, que evoluiu até ao português que falamos hoje.

Mas a história não termina aqui...

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Dia 25 de Abril de 1974

Como acho que este dia mudou para sempre a vida e os costumes de toda a nação Portuguesa decidi colocar uma cronologia do sucedido durante as 24 horas do dia 25 de Abril de 1974.
Apesar de ainda não ser nascido nesta altura. Vivo este dia todos os dias!
Se me perguntassem qual o dia de toda a história de Portugal que eu gostaria de ter vivido, eu responderia: O dia da "revolução dos cravos".

Adorava ter vivido as emoções que foram sentidas por milhares de pessoas no largo do Carmo e em todo o país aquando finalmente se aperceberam que a censura e a repressão estava a terminar e que finalmente poderiam sentir a liberdade. Sentimento esse que nunca lhes tinha percorrido o corpo!
Graças a alguns "bravos" que lutaram contra o regime, pondo as suas vidas em risco para "salvar" toda uma nação, podemos hoje saber o que é a democracia e a liberdade.

O meu MUITO OBRIGADO a todos eles.

PS - Sei que esta mensagem vai ficar deveras longa. Ainda pensei em fazer uns "ajustes", mas o meu coração não deixou! Este dia é demasiado importante para se apagar o quer que seja.

Dia 25 de Abril de 1974

00h00 - João Paulo Dinis conclui o programa nos E.A.L. e regressa a casa, seguindo instruções do chefe militar do MFA.

00h20 – Nos estúdios da Rádio Renascença, situados na Rua Capelo, ao Chiado, Paulo Coelho, que ignora os compromissos assumidos pelos seus colegas do programa Limite, lê anúncios publicitários. Apesar dos sinais desesperados de Manuel Tomás, que se encontra na cabina técnica acompanhado de Carlos Albino, para sair do ar, o radialista prossegue paulatinamente a sua tarefa. Após 19 segundos de aguda tensão, Tomás dá uma "sapatada" na mão do técnico José Videira, provocando o arranque da bobine com a gravação que continha a célebre senha: a canção Grândola Vila Morena, de Zeca Afonso.

00h30 - Na EPAM, um grupo de capitães e subalternos armados dá voz de prisão ao oficial de dia, alferes miliciano Pinto Bessa, e ao oficial de prevenção, aspirante miliciano Leão. O capitão Gaspar assume provisoriamente as funções de oficial de serviço.
- No Campo de Instrução Militar de Santa Margarida (CIMSM) começam-se a encher carregadores na arrecadação de material de guerra.
- Na EPA continua-se (iniciada às 23h00) a preparação final do golpe, onde o capitão Santos Silva assumira já o comando, acolitado pelos tenentes Ruaz, Sales Grade e Sousa Brandão.
- Na EPI, os capitães Rui Rodrigues, Aguda e Albuquerque ordenam a formatura da companhia de intervenção, a três bigrupos de cinquenta homens.
O capitão Silvério executa o plano de defesa do quartel. Os majores Aurélio Trindade e Cerqueira Rocha convidam o coronel Jasmins de Freitas a aceitar o comando da unidade.
00h40 - Na EPC, em Santarém os oficiais do MFA procuram obter a adesão ao Movimento do tenente coronel Henrique Sanches. Não o conseguindo, procedem à sua detenção.
- No Campo de Tiro da Serra da Carregueira (CTSC) os capitães Oliveira Pimentel e Frederico Morais iniciam a preparação dos homens para levar a bom termo a sua missão - conquistar a Emissora Nacional.
01h00 - No BC 5 o major Fontão ordena ao alferes Frazão que controle e mantenha pessoal de guarda à central telefónica. Manda fechar os portões e neutralizar a central rádio.
- No CIMSM o tenente Luís Pessoa reúne os cabos milicianos e consegue a sua adesão imediata.
- Na EPC o major Rui Costa Ferreira assume o comando.
01h30 - Na EPC Salgueiro Maia manda acordar o pessoal e formar em parada. A adesão é entusiástica. Salgueiro Maia comandará a força tendo o tenente Alfredo Assunção como seu adjunto.
- No CIAAC, em Cascais, um grupo de jovens oficiais vê impedida a sua entrada na unidade que, ao contrário do que se previa, não adere ao Movimento. Contactam o Posto de Comando pedindo nova missão.
- Na EPAM os soldados são armados. No exterior tudo está tranquilo.
- No RI 14 os capitães Gertrudes da Silva, Silveira Costeira, Aprígio Ramalho, Ferreira do Amaral e Augusto convocam os oficiais subalternos e esclarecem a situação. Controlam a central telefónica e os postos de rádio da ordem pública e do Serviço de Telecomunicações Militares (STM).
- No Regimento de Cavalaria 3 (RC 3), em Estremoz, é problemático o cumprimento da missão: marchar sobre Lisboa com uma coluna de autometralhadoras, estacionando na zona da portagem da Ponte Salazar, aguardando ordens do Posto de Comando. O comandante, coronel Caldas Duarte, mostra-se indeciso e pede tempo para reflectir.
02h00 - No RI 14, em Viseu, inicia-se a preparação da companhia que vai seguir para a Figueira da Foz, onde se juntará a outras unidades em acção (RI 10, CICA 2, RAP 3) com vista a constituir o agrupamento «November».
- A companhia de intervenção a três bigrupos comandada pelo capitão Rui Rodrigues abandona a EPI, em Mafra, para seguir por Malveira, Loures, Frielas e Camarate até ao Aeroporto da Portela, que deverá ocupar e defender.
- No BC 5 o major Cardoso Fontão manda distribuir armas, munições e aparelhos de rádio e formar as companhias.
- Do CTSC saem duas viaturas pesadas e um jipe, com um total de 47 homens, e dirigem-se para o seu objectivo.
02h30 – Os capitães Dinis de Almeida e Fausto Almeida Pereira executam vitoriosamente o plano de controlo do Regimento de Artilharia Pesada 3 (RAP 3), na Figueira da Foz, neutralizando os subalternos milicianos em serviço. Almeida Pereira abre o portão da unidade aos oficiais da Escola Central de Sargentos (ECS) de Águeda.
- Forças da EPI iniciam a ocupação dos pontos chave de Mafra, assegurando o domínio da vila e dos respectivos acessos.
02h40 - Forças da Escola Prática de Engenharia (EPE) saem de Tancos para se dirigirem à ponte da Golegã-Chamusca, e aí se juntarem às Companhias de Caçadores 4241/73 e 4246/73 oriundas de Santa Margarida.

02h50 - Uma coluna da EPAM, num total de cerca de cem homens, montados em duas viaturas ligeiras e três pesadas, comandada pelo capitão Teófilo Bento, inicia a curta marcha em direcção ao objectivo.

03h00 - A Rádio Televisão Portuguesa (R.T.P.) - Mónaco na linguagem cifrada dos militares revoltosos - é tomada de assalto pela força da EPAM.
- As 16 viaturas militares, precedidas de um automóvel de exploração civil, que constituíam a força da EPA - composta por uma bateria de artilharia (BTR 8,8) e uma companhia de artilharia motorizada comandadas, respectivamente, pelos capitães Oliveira Patrício e Mira Monteiro - cruzam a porta da unidade e partem de Vendas Novas em direcção a Lisboa.
- Uma bateria de artilharia (BTR 10,5) da EPA, comandada pelo capitão Duarte Mendes, ocupa posições a cavaleiro das estradas de Montemor-o-Novo e Lavre, assegurando a interdição destes eixos viários e garantindo a segurança próxima da unidade.
- Abrem-se os portões do quartel do BC 5 dando saída a duas companhias operacionais.
- O major Campos Moura e o capitão Correia Pombinho, encarregues de assinalar a saída dos homens do BC 5 e que aguardam na viatura do primeiro, escondida por detrás de sebes fronteiras à Penitenciária, partem de imediato para informar o 10º «Grupo de Comandos» do facto.
- Em Lamego, no Centro de Instrução de Operações Militares (CIOE), o seu comandante, tenente-coronel Sacramento Marques dá ordem de saída a uma companhia de tropas especiais que, após cinco horas de percurso, entrará no Porto.
- Nesta cidade, uma força do CICA 1, comandada pelo tenente-coronel Carlos Azeredo, penetra no Quartel-General da Região Militar do Porto (QG/RMP), transformando-o no posto de comando das forças em operações na Região Norte.
03h07 - Encontro do 10º «grupo de comandos» com a segunda companhia do BC 5, comandada pelo tenente Mascarenhas, na confluência da rua Castilho com a Sampaio Pina. O major Fontão estabelece contacto proferindo a senha Coragem! a que o capitão Mendonça de Carvalho responde com Pela Vitória!

03h12 - Efectuada a junção com êxito, encaminham-se para a entrada do Rádio Clube Português que o porteiro Alcino Leal virá a abrir, dando entrada a oito oficiais, sete dos quais armados com pistolas Walther. Estava conquistado sem incidentes o R.C.P., tendo o capitão Santos Coelho informado, de seguida, o Posto de Comando de que México passara para as mãos do MFA.

03h15 - A coluna do CTSC, comandada pelos capitães Frederico Morais e Oliveira Pimentel, chega à Emissora Nacional (E.N.) e ocupa a estação de rádio oficial. Tóquio viera completar o domínio de três objectivos fundamentais na área da comunicação social.

03h15 - As Companhias de Caçadores (Ccaç) 4241/73 e 4246/73 encontram-se com a EPE. A Ccaç 4241/73 marcha para o centro emissor do R.C.P., em Porto Alto; a Ccaç 4246/73 dirigir-se-á a Vila Franca de Xira para dominar a Ponte Marechal Carmona e a EPE seguirá para Lisboa a fim de ocupar posições de defesa na Casa da Moeda.

03h16 - No posto de comando do MFA é interceptada uma conversa telefónica entre o general Andrade e Silva, ministro do Exército e o Prof. Silva Cunha, ministro da Defesa, trocam impressões sobre a situação geral, revelando que tinham conhecimento de que se preparava um jantar importante de carácter conspirativo, mas que a DGS vigiava os oficiais. O primeiro membro do governo, entre outras considerações, afirma que "A situação está sem alteração e perfeitamente sob controlo...está tudo sossegado e não há qualquer problema em qualquer ponto do País." A chamada é interrompida porque o responsável máximo da DGS se encontrava noutro telefone para falar com o ministro da Defesa.

03h30 - A força da EPC - com 10 viaturas blindadas, 12 viaturas de transporte de tropas, duas ambulâncias e um jipe e precedida por uma viatura civil, com três oficiais milicianos - comandada pelo capitão Salgueiro Maia, cruza a porta da unidade e sai de Santarém em direcção a Lisboa.
- A primeira companhia do BC 5, comandada pelo capitão Bicho Beatriz, toma posições de cerco ao Quartel General da Região Militar de Lisboa (QG/RML). O oficial de serviço, aspirante Silva, informa o chefe do Estado-Maior, coronel Duque, da situação. Inicia-se, a partir de então, de acordo com a cadeia hierárquica, o processo de prevenção dos principais responsáveis das Forças Armadas.
- Carlos Albino e Manuel Tomás retiram-se das instalações da Rádio Renascença.

03h30 - Surge o primeiro alarme oficial das forças governamentais sobre a eclosão do Movimento, na cidade do Porto: o coronel Santos Júnior, comandante da PSP local, informa o Comando da GNR da tomada do QG/RMP pelos revoltosos.

03h31 – Os ministros da Defesa e do Exército retomam o diálogo telefónico, acabando por concluir que o Presidente da República, nesse dia, "pode deslocar-se à vontade, porque, por lá (Tomar), está tudo calmo".

03h40 - A coluna do RI 10 de Aveiro, comandada pelo capitão Pizarro, chega aos portões do RAP 3. O coronel Sílvio Aires de Figueiredo, comandante da última unidade, é detido, nessa altura, pelo capitão Dinis de Almeida. Decorrerá ainda algum tempo até que se constitua o Agrupamento Norte: a coluna do RAP 3 demora a formar, é preciso municiar as tropas chegadas de Aveiro, aguarda-se que cheguem as forças do Centro de Instrução de Condução Auto 2 (CICA 2) da Figueira da Foz e do RI 14 de Viseu.

03h55 - A companhia do RI 14 autotransportada, comandada pelo capitão Silveira Costeira, constituída por 4 viaturas pesadas, 1 ambulância e 1 viatura de exploração civil, sai do quartel passando por Tondela, Santa Comba Dão, Luso, Anadia e Cantanhede.

03h56 - O Posto de Comando toma conhecimento que foi quebrado o factor surpresa. O documento onde são anotadas as escutas telefónicas – intitulado A Fita do Tempo – regista: «Concentração que avança sobre Lisboa. Ele (Min. Ex?) vai já para lá (?)».

03h57 - A ausência de notícias da coluna da EPI, que ainda não conquistara o Aeroporto, conduz ao adiamento da transmissão do primeiro comunicado inicialmente prevista para as 4h00.

04h00 - Um pelotão do BC 5 desloca-se para a residência de António de Spínola, a fim de garantir a sua segurança.
- O programa «A noite é nossa», do R.C.P., deixa de transmitir publicidade, passando a emitir apenas música.
04h15 - O general Eduardo Martins Soares, comandante da RMP, apela aos coronéis Rui Mendonça, comandante do RI 8, e Carneiro de Magalhães, comandante do RI 13, ambos de Braga, para avançarem sobre o Porto e libertarem o QG das mãos dos insurrectos. Nos dois casos, os oficiais das unidades recusam-se a cumprir tais ordens.

04h20 - A coluna da EPI, comandada pelo capitão Rui Rodrigues, assume o controlo do Aeródromo Base nº 1 (Figo Maduro) e do Aeroporto de Lisboa. O capitão Costa Martins emite um comunicado NOTAM, interditando o espaço aéreo português e desviando o tráfego para os aeroportos de Las Palmas e Madrid. Nova Iorque encontra-se sob o controlo do Movimento.

04h22 - Em resposta a um telefonema de Silva Cunha, a mulher do Ministro do Exército informa-o que «O Alberto saiu agora de casa».

04h26 - O Rádio Clube Português transmite o 1º comunicado do Movimento das Forças Armadas, lido por Joaquim Furtado. Seguem-se o Hino Nacional e marchas militares, designadamente uma da autoria de John Philip de Sousa que se viria a transformar no hino do MFA. Os portugueses começam a tomar conhecimento de que algo de muito importante se está a desenrolar no País.
- No Grupo de Artilharia Contra Aeronaves 2 (GACA 2) de Torres Novas os capitães do Quadro Permanente, Pacheco, Dias Costa e Ferreira da Silva, conseguem a adesão dos tenentes milicianos comandantes de companhias mobilizadas para o Ultramar e que aguardam embarque.
04h30 - Rendição do QG/RML. O major Cardoso Fontão comunica ao posto de comando que Canadá fora ocupado sem incidentes.
- Forças do CICA 1 detêm, à saída da sua residência, o chefe do Estado-Maior do Q.G./R.M.N., coronel Ramos de Freitas.
04h45 - O 2º comunicado do MFA é emitido, apelando à desmobilização de eventuais acções contra o Movimento.
- O primeiro grupo do BC 5, comandado pelo major Fontão, penetra no interior do R.C.P.
- O alarme é dado no Quartel-General da Região Militar de Coimbra (QG/RMC). Rapidamente se apercebem de que a maior parte das unidades segue o Movimento.
- O governador da Região Militar de Lisboa reúne-se com o corpo do seu Estado-Maior na residência do respectivo subchefe.
05h00 - Após uma viagem sem problemas, a coluna da EPC passa na portagem da auto-estrada, em Sacavém.

05h00- No Quartel-General da Região Militar de Évora (QG/RME) é recebida ordem do Ministério do Exército para entrar de prevenção rigorosa.
- Marcelo Caetano recebe um telefonema do director-geral da PIDE/DGS, major Silva Pais, que lhe comunica estar a Revolução na rua, sendo a situação muito grave, pelo que se tornava necessário que o Presidente do Conselho se refugiasse no Quartel do Comando-Geral da GNR no Largo do Carmo.
05h15 - Leitura do 3º comunicado que, entre outros apelos, aconselha a população a permanecer em casa. Grande parte desta, pelo contrário, vai para a rua, passando a manifestar um acolhimento eufórico à iniciativa dos militares, misturando-se com eles, conferindo, assim, ao golpe militar, muitos dos contornos de uma verdadeira revolução.

05h19 - O general Nascimento telefona ao recém nomeado CEMGFA, general Luz Cunha, a informá-lo que "está muita tropa na rua e é preferível seguir para aqui".

5h20 - O general Viotti de Carvalho, vice-chefe do Estado-Maior do Exército (EME) determina ao comandante da EPTm para proceder à escuta das comunicações militares e as relatasse para o Estado-Maior. No entanto, há largas horas que a referida unidade militar desempenhava aquela missão, mas a favor do MFA.

05h27 - O ministro do Exército ordena ao RI 6, do Porto, que liberte o Q.G./R.M.P, determinação que não será cumprida, uma vez que a unidade era afecta ao MFA.

05h30 - No itinerário para o Terreiro do Paço, Salgueiro Maia cruza-se com viaturas da Polícia de Segurança Pública no Campo Grande e, cerca de 10 minutos depois com a Polícia de Choque, na Av. Fontes Pereira de Melo, que não se manifestam.

05h30 - O Comando Territorial do Algarve (CTA) ordena a entrada em prevenção rigorosa das suas três unidades.

05h32 – O ministro do Exército determina ao general Carvalhais que se ocupe da protecção dos CTT, Águas e Electricidade.

05h45 - O 4º comunicado sintetiza os anteriores alertando para que a situação não se encontra ainda totalmente controlada.

05h46 - O Ministro do Exército ordena ao comandante do Regimento de Cavalaria 7 (RC 7), coronel António Romeiras Júnior, que, com os carros de combate M47, tome posições em Vale de Cavalos para deter uma coluna da EPC que fora «referenciada no Cartaxo» e que «vem a caminho de Lisboa».

05h50 - Uma força do CICA 1 ocupa o centro emissor de Miramar (Porto) do R.C.P.

05h55 - As forças de Salgueiro Maia instalam-se no Terreiro do Paço, de forma marcadamente intimidatória. Encontram-se cercados os ministérios, a Câmara Municipal, a Marconi, o Banco de Portugal e a 1ª Divisão da P.S.P., estando dirigidas as metralhadoras para as janelas do Ministério do Exército. «Estamos aqui para derrubar o Governo» declara Salgueiro Maia ao jornalista Adelino Gomes.

05h59 - O ministro do Exército telefona ao coronel Romeiras Júnior, e ordena-lhe que "veja se consegue salvar esta coisa, pois estamos todos cercados", recebendo a resposta que as forças daquela unidade iam a caminho e já se encontravam na Av. 24 de Julho.

06h00 - O Quartel-General da Região Militar de Tomar (QG/RMT) ordena às unidades que passem ao estado de prevenção rigorosa. Mas já há algumas horas que forças de Tancos (EPE), de Santa Margarida (Ccaç 4241 e 4246) e de Santarém se movimentam em apoio do MFA.
- A companhia do GACA 2 de Torres Novas, na qual ocorrera uma viragem da situação (de força inimiga passa a apoiante), ocupa o Quartel e resiste a todas as ameaças, apesar de se manter sem contactos com o Posto de Comandos do MFA até às 20h00 do dia 26.
06h05 - O alferes miliciano David e Silva chega ao Terreiro do Paço comandando um pelotão de AML/Chaimites reforçado com Panhards do RC 7, favorável ao Governo, mas adere imediatamente ao Movimento, colocando-se às ordens de Salgueiro Maia. A mesma atitude será tomada por dois pelotões do Regimento de Lanceiros 2 (RL 2) que guardam o Ministério do Exército, à excepção de sete elementos que virão a possibilitar a fuga aos membros do Governo aí refugiados.

06h10 - O ministro do Exército pede ao general da FA Henrique Troni para "mandar dois aviões sobrevoar o Terreiro do Paço".

06h50 - A bateria de obuses do Regimento de Artilharia Pesada 2 de Vila Nova de Gaia toma posição em ambas as entradas da Ponte da Arrábida, no Porto, dando acesso unicamente às «forças amigas» (do MFA).
- Uma força do RL 2, comandada pelo tenente Ravasco, tenta, sem êxito, recuperar o QG/RML.
07h00 - Forças da EPA de Vendas Novas, comandadas pelos capitães Patrício e Mira Monteiro, ocupam a colina do Cristo-Rei, em Almada (com o nome de código Londres).
- Surge no Terreiro do Paço, do lado da Ribeira das Naus, um pelotão de reconhecimento Panhard do RC 7, orientado pelo seu 2º comandante, tenente-coronel Ferrand de Almeida que, perante o dilema de ter de disparar ou de se render, opta por esta última posição, sendo preso.
- Uma coluna do RC 3 de Estremoz, sob o comando do capitão Andrade Moura e Alberto Ferreira, sai do Quartel e dirige-se a Setúbal, a fim de atingir a Ponte Salazar (actual Ponte 25 de Abril). Juntam-se-lhe os capitães Miquelina Simões e Gastão Silva, colocados no Regimento de Lanceiros 1 de Elvas, na sequência do frustrado golpe das Caldas.
- O Agrupamento Norte – envolvendo, nesta altura, forças do RAP 3 e CICA 2 da Figueira da Foz e do RI 10 de Aveiro - sai a porta de armas do Quartel e mete-se à estrada em direcção a Leiria.
07h30 - O RI 14 de Viseu chega à Figueira da Foz e integra as forças do Agrupamento Norte muito antes da sua chegada a Leiria, assumindo o comando o capitão Gertrudes da Silva.
- É lido por Luís Filipe Costa o 5º comunicado do Movimento das Forças Armadas, em que se fornecem elementos acerca dos objectivos do MFA.
- É detido, nas imediações do R.C.P., o tenente-coronel Chorão Vinhas, comandante interino do BC 5.
- Uma segunda coluna da EPC, constituída por cinco carros de combate (2 M47 e 3 M24) e dois pelotões de atiradores (cerca de 60 homens), comandada pelo capitão Correia Bernardo, atinge o perímetro de Santarém, pronta para avançar para Lisboa em apoio da coluna de Salgueiro Maia. A evolução favorável dos acontecimentos acabou por tornar desnecessária tal medida.
07h40 - A Companhia de Caçadores (Ccaç 4241/73) ocupa o centro emissor do R.C.P., em Porto Alto.

07h50 - Os capitães Glória Alves e Ferreira Lopes, à frente de um pelotão do Centro de Instrução de Condução Auto 5 (CICA 5) de Lagos, ocupam o centro retransmissor de Fóia.

08h00 - Verifica-se o corte de energia ao centro emissor do R.C.P., em Porto Alto, que passa a funcionar com o gerador de emergência.
- A Companhia do CIOE, comandada pelo capitão Delgado da Fonseca, chega à cidade do Porto, dirigindo-se ao CICA 1.
08h15 - Uma força da GNR saída do Quartel do Cabeço de Bola, constituída por 12 "Land Rover", toma posição no Campo das Cebolas. Após um breve diálogo com Salgueiro Maia e face à disparidade de meios, o comandante é convencido a abandonar o local.

08h22 – O CEMGFA, general Luz Cunha, informa o chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), general Paiva Brandão, que "pretende utilizar meios da Escola Prática do Serviço de Material (EPSM) para tomar posições e libertar o AB 1. Irem pela auto-estrada e tomarem estrada secundária. Terem cuidado com o Cmdt. dessa força porque a entrega do Ferrand o deixou muito em baixo".

08h30 - É lido, pela primeira vez na Emissora Nacional, um comunicado do MFA.

08h50 - Uma coluna de nove viaturas militares da EPE de Tancos estaciona no centro emissor do R.C.P., a fim de reforçar a sua defesa. Mais tarde segue para Lisboa onde ocupa a Casa da Moeda, seu objectivo inicial.

09h00 - A fragata Almirante Gago Coutinho, comandada pelo capitão-de-fragata Seixas Louçã, toma posição no Tejo, em frente ao Terreiro do Paço, intimidando directamente as forças de Salgueiro Maia. Perante esta situação, a artilharia do Movimento, já estacionada no Cristo-Rei, recebe ordens do Posto de Comando para afundar a fragata no caso desta abrir fogo. O vaso de guerra terá recebido ordem do vice-chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Jaime Lopes, "para se preparar para abrir fogo". A ordem de disparar nunca chegou.
- O major Cardoso Fontão detém, nas imediações do Q.G./R.M.L., o brigadeiro Serrano que, no 16 de Março, comandara o cerco ao RI 15.
- Chega à residência de Spínola o médico Carlos Vieira da Rocha, amigo do general e proprietário do automóvel Peugeot que os haveria de transportar, no final da tarde, ao Quartel do Carmo.
09h15 - Uma força da EPC, com uma AML e uma ETT/Panhard, comandadas pelo alferes Sequeira Marcelino e pelo aspirante Pedro Ricciardi, vai reforçar a protecção do QG/RML, em São Sebastião da Pedreira.

09h35 - Chega ao Terreiro do Paço uma força comandada pelo brigadeiro Junqueira dos Reis, 2º comandante da RML, constituída por 4 CC/M47, uma companhia de atiradores do Regimento de Infantaria 1 e alguns pelotões da Polícia Militar. Dois dos carros de combate, comandados pelo major Pato Anselmo, tomam posições na Ribeira das Naus, enquanto os outros dois, sob o comando do coronel Romeiras Júnior, penetram na Rua do Arsenal.

09h40 - Protegidos pelos blindados do RC 7, os ministros da Defesa, Silva Cunha, do Interior, César Moreira Baptista, do Exército, Andrade e Silva, da Marinha, Pereira Crespo, o chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, Joaquim Luz Cunha, o governador militar de Lisboa, Edmundo Luz Cunha, o subsecretário de estado do Exército, coronel Viana de Lemos e o almirante Henrique Tenreiro, fogem pelas traseiras do Ministério do Exército, abrindo um buraco na parede que comunica com a biblioteca do Ministério da Marinha. No parque de estacionamento interior tomam lugar numa carrinha que os transporta ao Regimento de Lanceiros 2, onde instalam o Posto de Comando das tropas leais ao Governo.

10h00 - Na Rua do Arsenal, o tenente Alfredo Assunção, da EPC, empreende uma tentativa de negociação com o coronel Romeiras Júnior e o brigadeiro Junqueira dos Reis.- Este oficial-general agride com três murros o emissário dos revoltosos que responde com continência e uma rígida posição de sentido. O brigadeiro manda, em seguida, abrir fogo sobre ele, não sendo obedecido, por intervenção directa do coronel Romeiras. Assunção regressa, então, para junto das suas tropas.

10h10 - Chega ao Terreiro do Paço o tenente-coronel Correia de Campos, enviado do Posto de Comando da Pontinha, com a missão de coordenar as operações.

10h15 - Um grupo de comandos, que integra Correia de Campos e Jaime Neves, passa revista ao Ministério do Exército, confirmando a fuga dos ministros que tinha por missão prender, procedendo à detenção de diversos oficiais superiores, designadamente o coronel Álvaro Fontoura, chefe de gabinete do ministro do Exército que seriam, pouco depois, transferidos para o RE 1.

10h30 - Depois de algumas tentativas infrutíferas para a rendição do major Pato Anselmo, na Ribeira das Naus, esse intento é alcançado por um civil, o ex-alferes miliciano Fernando Brito e Cunha, que actua às ordens de Correia de Campos. Os dois carros de combate e as tropas que os seguiam passam-se para o lado dos revoltosos, ficando sob o comando de Salgueiro Maia.
- O Agrupamento Norte, comandado pelo capitão Gertrudes da Silva, atinge Peniche, com o objectivo de ocupar essa odiosa prisão política do Regime. Face à resistência da PIDE/DGS, a companhia do CICA 2 e duas secções de obuses do RAP 3 montam cerco àquele objectivo, seguindo o grosso da coluna para Lisboa.
10h45 – Face à perda de metade da sua coluna, o 2º comandante da RML transfere o CC/M47 do alferes miliciano Fernando Sottomayor (RC 7) para a Ribeira das Naus. Seguidamente, o brigadeiro Junqueira dos Reis ordena-lhe que abra fogo sobre Salgueiro Maia, quando este se encontra entre a esquina do Ministério do Exército e o muro para o rio Tejo, numa tentativa para obter a rendição do remanescente das forças fiéis ao governo. O oficial miliciano recusa-se a obedecer, sendo detido e transferido para o RL2.

10h50 - Junqueira dos Reis ordena, sem sucesso, aos soldados que abram fogo. Perante a desobediência generalizada, o oficial-general dá dois tiros para o ar e dirige-se para a Rua do Arsenal, onde se encontra o carro de combate do comandante do RC 7.

11h00 - Incapaz de se fazer obedecer, o 2º governador militar de Lisboa conserva as forças que lhe restavam nas posições que ocupavam, não tomando, naquela altura, mais nenhuma iniciativa.
- O governo consegue cortar a emissão em FM do R.C.P., desligando o comutador de Monsanto.
- É detido, por forças do BC 5, nas instalações do Quartel Mestre General, o seu responsável, general Louro de Sousa.
11h30 - As unidades estacionadas no Terreiro do Paço dividem-se, avançando:
- a Escola Prática de Cavalaria para o Quartel do Carmo, sendo, ao longo de todo o percurso, aclamada entusiasticamente pela população.
- forças dos Regimentos de Cavalaria 7, Lanceiros 2 e Infantaria 1 - que contavam com 16 blindados - comandadas por Jaime Neves e pelos tenentes de Cavalaria Cadete e Baluda Cid, para o Quartel-General da Legião Portuguesa (Marrocos).
11h45 - Difundido novo comunicado do MFA ao País, informando que, de Norte a Sul, a situação se encontra dominada e que "...em breve chegará a hora da libertação."

12h00 - A fragata Almirante Gago Coutinho retira para o Mar da Palha.
- No Rossio, uma companhia do Regimento de Infantaria 1 , da Amadora, comandada pelo capitão Fernandes, tenta barrar o caminho para o Quartel do Carmo, à coluna da EPC. Após curto diálogo com o comandante das tropas, estas passam para o lado de Salgueiro Maia.
12h30 - É montado o cerco ao Quartel da GNR, no Carmo, pela coluna da EPC.

12h45 - Forças hostis da GNR ocupam posições na retaguarda do dispositivo de Salgueiro Maia.

13h00 - Um comunicado do MFA tranquiliza as famílias dos militares envolvidos no movimento revoltoso.
- Face ao cerco do Quartel do Carmo, o brigadeiro Junqueira dos Reis dirige-se, com os dois CC/M47 e os lanceiros e atiradores que lhe restavam, para o Largo de Camões, na esperança de, conjuntamente com forças da GNR, tentar libertar o Presidente do Conselho. Tais intenções rapidamente se verificam inexequíveis. A companhia do RI 1 passa-se para as fileiras do MFA e uma parte da guarnição de um M/47 abandona-o, confinando o brigadeiro a uma posição de crescente fraqueza face ao aumento do poderio dos revoltosos.
13h15 - A coluna do RC 3 de Estremoz atinge o seu objectivo, a Ponte Salazar.

13h30 - Um helicanhão sobrevoa o Largo do Carmo, causando grande ansiedade entre militares e civis.

13h40 - O comandante e o Estado-Maior da Legião Portuguesa apresentam a sua rendição.

14h00 - Corte de energia ao emissor de Miramar (Porto) do R.C.P.

14h30 - É lido por Clarisse Guerra, aos microfones do Rádio Clube Português, um comunicado do MFA, no qual se dá conta dos objectivos e posições controlados e do ultimato para a rendição de Marcelo Caetano.

15h10 - Salgueiro Maia solicita, com megafone, a rendição do Carmo em 10 minutos. Momentos antes recebera do Posto de Comando do MFA uma mensagem escrita pelo major Otelo Saraiva de Carvalho na qual ordena que apresente um aviso-ultimato para a rendição.

15h15 - São libertados da Trafaria os onze militares que aí se encontravam detidos em consequência do falhado golpe das Caldas.

15h30 - Não sendo atendido após 15 minutos, Salgueiro Maia ordena ao tenente Santos Silva para fazer uma rajada da torre da Chaimite sobre as janelas mais altas do Quartel, repetindo o apelo de rendição logo a seguir.

15h45 - Do Quartel do Carmo sai o major Hugo Velasco, membro do MFA, para falar com o capitão Salgueiro Maia.

16h00 - O coronel Abrantes da Silva, a pedido de Salgueiro Maia, entra no Quartel para dialogar com os sitiados.
- Forças do CIOE dirigem-se aos estúdios da R.T.P. (Monte da Virgem) e do R.C.P. (Tenente Valadim), no Porto, para proceder à sua ocupação.
16h15 - O capitão Salgueiro Maia dá ordens ao alferes miliciano Carlos Beato para instalar os seus homens no cimo das varandas do edifício da Companhia de Seguros Império e fazer fogo sobre a frontaria do Carmo, agora com armas automáticas G-3.

16h25 - O comandante da força da EPC, na ausência de resposta por parte dos sitiados no Quartel do Carmo, ordena a colocação de um blindado em posição de tiro e chega a dar "voz" de "um, dois"..., sendo interrompido pelo tenente Alfredo Assunção que conduz dois civis até ele. Trata-se de Pedro Feytor Pinto, director dos Serviços de Informação da Secretaria de Estado da Informação e Turismo, e Nuno Távora, que se dizem portadores de uma mensagem do general Spínola para Marcelo Caetano.

16h30 - Salgueiro Maia autoriza a entrada no Quartel dos dois mensageiros.

16h30 - Spínola comunica ao Posto de Comando do MFA ter recebido um pedido de Marcelo Caetano para ser ele a aceitar a rendição do chefe do governo. Otelo, após recolher a opinião dos presentes, concede-lhe esse mandato.

16h45 - Os dois mensageiros saem do Quartel do Carmo e deslocam-se num jipe, acompanhados por Alfredo Assunção, para casa de Spínola que, entretanto, se dirige já para o Carmo.

17h00 - Salgueiro Maia desloca-se ao interior do Quartel e fala com Marcelo Caetano que, após ter colocado algumas perguntas, lhe solicita que um oficial-general vá efectuar a transmissão de poderes (Spínola, com quem, aliás, falara já ao telefone) para que o poder não caia na rua.

17h00 - Salgueiro Maia pede a Francisco Sousa Tavares e a Pedro Coelho, oposicionistas ligados à CEUD e ao PS, para ajudarem a afastar a população. Sousa Tavares sobe para uma guarita da GNR e, usando o megafone, apela à calma.

17h45 - Chegada ao Largo do Carmo do general António de Spínola, acompanhado pelo tenente-coronel Dias de Lima, major Carlos Alexandre Morais, capitão António Ramos e dr. Carlos Vieira da Rocha. Após longos minutos envolvido pela multidão, o Peugeot que transportava Spínola consegue, finalmente, chegar junto da porta de armas do quartel.

18h00 - António de Spínola, acompanhado por Salgueiro Maia (que o informa sobre o modo como os membros do Governo serão retirados das instalações), entra no Quartel do Carmo para dialogar com Marcelo Caetano.

18h15 - Spínola encontra-se com Marcelo e informa-o dos procedimentos que serão adoptados para a sua saída do local e posterior evacuação para a Madeira. Enquanto isso, Salgueiro Maia pede à população que abandone o Largo do Carmo, a fim de se proceder à retirada do Presidente do Conselho e dos ministros. O apelo é ignorado.

18h20 - Um comunicado do MFA informa o País da entrega de Marcelo Caetano e de membros do seu ex-governo, refugiados no Carmo.

18h25 - Às ordens de Salgueiro Maia, soldados formam um cordão em frente da porta de armas do Quartel, por forma a ser possível retirar Marcelo Caetano em segurança.

18h30 - O Agrupamento Norte chega a Lisboa.- Numa manobra difícil, a autometralhadora Chaimite penetra, de marcha atrás, no Quartel do Carmo.

19h00 - Marcelo Caetano, Rui Patrício e Moreira Baptista abandonam o Quartel do Carmo, sendo conduzidos na autometralhadora Chaimite "Bula", em direcção ao Quartel da Pontinha.
- A Baixa de Lisboa é invadida por enorme multidão que vitoria as Forças Armadas e a Liberdade.
19h50 - Comunicado do MFA anunciando formalmente a queda do Governo.

20h05 - É lida, através dos emissores do RCP, a Proclamação do Movimento das Forças Armadas.

20h30 - Na Rua António Maria Cardoso, onde se situa a sede da PIDE/DGS, agentes desta polícia política abrem fogo sobre a multidão que se aglomera na referida artéria, causando 4 mortos e dezenas de feridos.

21h00 - A Chaimite "Bula" e a coluna da EPC atingem o Quartel da Pontinha.

21h00 - Forças do RAP 3 e da EPI deslocam-se ao Comando da 1ª Região Aérea, em Monsanto, para proceder à detenção dos ministros da Defesa, do Exército e da Marinha, e de outras altas patentes militares que ali se haviam refugiado desde a tarde, conduzindo-os ao RE 1.

22h00 - Forças de pára-quedistas chegam à prisão de Caxias, onde a PIDE/DGS continua a resistir.

23h30 - Chegada da EPC ao RC 7 e RL 2 que ocupa, perante a rendição, sem resistência, dos seus comandantes.