
'Eis aqui, quase cume da cabeça
De Europa toda, o Reino Lusitano,
Onde a terra se acaba e o mar começa'
Camões, Os Lusíadas, Canto III
Numa época muito remota, no 'Paleolitico' a Peninsula Ibérica foi invadida por inúmeros povos, houve assim dentro do território uma fusão de inúmeros povos, existindo também grandes progressos culturais. Em de 10 000 a.C. a Península Ibérica era habitada por povos que viriam a ser conhecidos como Iberos. Em 6000 A.C., a região passou a ser habitada por um povo indo-europeu, os Celtas que coexistiram pacificamente com as tribos Iberas até ao ponto de se fundirem, dando origem aos Celtiberos que se subdividiram em vários povos, como os Lusitanos, os Calaicos ou Gallaeci e os Cónios, entre outras menos significativas, tais como os Brácaros (povo do Norte de Portugal), Célticos (povo que habitava o Alentejo), Coelernos (viviam entre os rios Tua e Sabor, no interior norte de Portugal), Equesos (viviam no extremo norte montanhoso português), Gróvios (viviam no vale do rio Minho, entre a Galiza e Portugal), Interamicos (vivia entre trás-os-Montes, Portugal e o norte de Espanha (fronteira com Portugal), Leunos (habitavam entre o rio Lima e o rio Minho, no norte de Portugal), Luancos (habitava entre o rio Tâmega e o rio Tua, a norte do rio Douro no actual território português e galego), Límicos, Narbasos, Nemetatos, Gigurri, Pésures, Quaquernos, Seurbos, Tamagani, Taporos, Zoelas, Turodos. Influências menores foram os Gregos e os Fenícios-Cartagineses (com pequenas feitorias comerciais costeiras semi-permanentes).
Assim sendo, os lusitanos são um povo celtibero. A região habitada pelos lusitanos chama-se de Lusitânia e corresponde a Portugal e a uma parte da Galiza (Espanha).
O que chamou a atenção dos romanos para a Península Ibérica, foi não só a imensa riqueza mineira, mas também o facto do império cartaginês, inimigo crónico dos romanos, recrutar nesta região muitos dos seus bravos soldados.
Em 151 a.C., os chefes lusitanos, que se encontravam nos castros (povoações rodeadas por muralhas) nos montes Hermínios, após muitas lutas contra os romanos, decidiram propor a paz. Em troca de terras férteis na planície, abandonariam a luta. As conversações sobre a intenção dos Lusitanos tiveram como interlocutor um chefe romano de seu nome Galba que fingiu aceitar a proposta oferecendo-lhes um local esplêndido. Em troca teriam que entregar as armas.
Quando os lusitanos se encontravam espalhados por uma zona sem hipóteses de defesa, Galba cercou-os, matando milhares de lusitanos. Aprisionou e enviou para a Gália, como escravos, outros tantos. Porém, alguns conseguiram escapar, entre os quais, Viriato. Galba, com esta traição, pensava que esta vitória seria bem recebida em Roma, e que com a violência do seu acto tivesse destruído para sempre a resistência dos lusitanos. Puro engano! Esta traição ia contra os conceitos estabelecidos pelas autoridades romanas, que davam muito valor às vitórias militares mas exigiam lealdade e respeito pelos inimigos. Quando souberam que Galba tinha mentido e assassinado homens desarmados que tinham confiado na palavra de um chefe romano, chamaram-no a Roma e julgaram-no em tribunal. Os lusitanos, ao contrário do esperado por Galba, formaram um exército de milhares de homens vindos de vários castros e desencadearam ataques sucessivos contra os romanos, alcançando muitas vitórias sobre o comando desse grande herói do povo lusitano, que só à traição foi eliminado, Viriato.
Mas a luta não parou e para tentar acabá-la os romanos mandaram à Península o cônsul Décimo Júnio Bruto, que fortificou Olisipo (Lisboa), estabeleceu a base de operações em Méron próximo de Santarém, e marchou para o Norte, matando e destruindo tudo o que encontrou até à margem do Rio Lima. Mas nem assim Roma conseguiu a submissão total e o domínio do norte da Lusitânia.
A partir de 194 a.C., registraram-se choques com tribos de nativos, denominados genericamente como lusitanos, conflitos que se estenderam até 138 a.C., denominados por alguns autores como guerra lusitana. A disputa foi mais acessa pelos territórios mais prósperos, especialmente na região da actual Andaluzia.
Neste contexto, destaca-se um grupo de lusitanos liderados por Viriato, eleito por aclamação, que inflinge várias derrotas às tropas romanas na região da periferia andaluz, acabando por tornar-se num mito da resistência peninsular.
No entanto a força do império romano prevaleceu e este viriam a dominar a Peninsula Ibérica por mais de cinco séculos. Os romanos contribuíram com a sua cultura e a sua civilização mas não com pessoas o que permitiu que os lusitanos tenham adquirido a cultura romana mas não as suas gentes. Os lusitanos tinham uma língua própria - a língua lusitana, uma variante de língua celta. Contudo, a influência do latim era superior e de acordo com os ensinamentos romanos, os lusitanos passaram a falar latim, que evoluiu até ao português que falamos hoje.
Mas a história não termina aqui...
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