segunda-feira, 20 de outubro de 2008

A Origem de Portugal (2)




'Pai, foste cavaleiro.
Hoje a vigília é nossa.
Dá-nos o exemplo inteiro
E a tua inteira força!

Dá, contra a hora em que, errada,
Novos infiéis vençam,
A benção como espada,
A espada como benção!'

Fernando Pessoa, Mensagem, D. Afonso Henriques


A civilização romana termina na Península Ibérica com as invasões barbaras do início do século 5 d.C. Grandes hordas de povos bárbaros como os Alanos, os Vândalos, os Suevos atravessam os Pirinéus, vindos do norte da Europa e instalam-se um pouco por toda a península. No entanto estas civilizações não têm uma cultura superior à romana e as populações conquistadas continuaram a praticar um modo de vida de acordo com a cultura romana. A resistência do império romano foi muito fraca precisamente porque a civilização romana era baseada essencialmente na escravatura e os escravos não estavam dispostos a lutar e a dar a vida pelos seus senhores que muitas vezes os oprimiam tanto ou mais que os próprios bárbaros. Cerca de um século depois, no ano de 516, uma outra civilização de povos germânicos chega à península - os Visigodos. Embora não tendo também uma cultura superior à romana, os Visigodos acabam por influenciar os povos peninsulares através da introdução de um novo sistema de classes assente numa nobreza e clero muito fortes.

Os muçulmanos vão invadir a Península Ibérica em 711, com um sucesso militar fulminante os exércitos mouros vencem os Visigodos e conquistam a Península em pouco mais de três a quatro anos. A sua cultura influencia enormemente os habitantes peninsulares. Os lusitanos aprendem a Matemática e a arte da Navegação, conhecimentos que ditariam o nosso futuro séculos mais tarde com os Descobrimentos. Abdulaziz (ou Abdul-el-Aziz) subjugou a Lusitânia e, saqueando as cidades do Norte que lhe abriam as portas, atacava as que tentavam resistir. Às suas investidas escapou, porém, uma parte das Astúrias onde se refugiou um grupo de Visigodos sob o comando de Pelágio. Uma caverna nas montanhas servia simultaneamente de paço ao rei e de templo de Cristo. Por vezes, Pelágio e seus companheiros desciam das montanhas em investidas para atacar os acampamentos islâmicos ou as aldeias despovoadas de cristãos. Um desses ataques, historiograficamente designado de batalha de Covadonga, marcou o início de um processo de retomada dos territórios ocupados, ao qual se deu o nome de Reconquista.

Poucos anos após a invasão muçulmana, os cristãos (hispano-godos e lusitano-suevos) acantonados nas serras do Norte e Noroeste da Península Ibérica, iniciaram a reconquista do território, formando novos reinos que se foram estendendo sucessivamente para o Sul. Novamente, os lusitanos não se misturam com os mouros até porque tinham religiões diferentes. Aprenderam a sua cultura mas não se dá o cruzamento de povos. O período compreendido entre 711 e 1492 foi marcado, na Península Ibérica, entre outros factos, pela presença de governantes muçulmanos. Em nome da recristianização da região, ocorreu um longo processo de lutas, considerado por alguns como parte do movimento de cruzadas, resultando finalmente na completa conquista do território por parte dos cristãos.

No ano de 1095, o Imperador Afonso VI (imperador porque era rei dos reinos de Leão, Castela e Galiza) decide reunir os condados do Porto e Coimbra (na altura governados por condes embora tivessem que responder ao Rei de Leão) num só condado e oferecer à sua filha Dona Teresa. Assim, Dona Teresa e o marido, o fidalgo francês conde D. Henrique, são os primeiros príncipes de Portugal. O conde morre em 1114 e o governo do condado passou para a rainha viúva, que era a mãe do jovem D. Afonso Henriques, que em 1122 se arma a si próprio cavaleiro na catedral de Zamora. Ora armar-se a si próprio cavaleiro significa muito simplesmente que este não reconhece mais ninguém acima de si. Dona Teresa, casada na altura com um fidalgo galego, pretendia que a chefia do Condado Portucalense ficasse dependente do Reino da Galiza, no entanto os portucalenses não viam com bons olhos a ideia de sujeição aos galegos. Assim, o jovem Afonso Henriques encabeça a resistência apoiada pelos burgueses de Guimarães, pelo arcebispo de Braga e muitos fidalgos portucalenses. Com este apoio, Afonso Henriques resolve apoderar-se do governo do condado contra os desejos da mãe. Fica famosa para a história a batalha de S. Mamede, perto do Castelo de Guimarães travada entre os exércitos de Dona Teresa e os do próprio filho.

Mas a história não termina aqui...

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